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Autor: Webmaster

Dezembro 31, 2009

Motivação, ousadia e competência

Sabedoria ou repetição dos erros?Nada de realmente significativo na vida se consegue sem estas três coisas: motivação, ousadia e competência. Estes são o núcleo a partir do qual se constrói o que quer que seja; e o que agrega estes “átomos”, lhes dá energia e os põe em movimento é um quarto elemento sem o qual nada passa das intenções e que dá pelo nome de “trabalho”.

Comecemos pela Ousadia. Disse o músico Maurice Ravel que  “a tradição é  a personalidade dos imbecis”. Palavras fortes mas sábias porque realmente quem não consegue libertar-se dos espartilhos mentais que bloqueiam a inovação e o espírito criativo, prendendo-se ao que é hábito fazer-se e – aparentemente – não implica riscos, muito dificilmente será capaz  de criar algo que realmente lhe dê uma vantagem competitiva sobre os que estão à sua volta.

Pensar “fora da caixa” como dizem os americanos é, na verdade, um dos pressupostos para se realizar um projecto que surpreenda a concorrência e crie a oportunidade que vai ser necessária para voar acima da multidão dos que não conseguem mais do que repetir fórmulas cansadas.

É claro que existe uma barreira poderosa à capacidade de inovar que é o facto de ser difícil vermos além da nossa própria experiência e rotinas adquiridas; como diz o provérbio japonês “o sapo que vive num poço não sabe o que  é  o Oceano”.

Portanto o “segredo”, se assim se pode dizer, está não só em assumir uma atitude mental sem reservas face ao que é novo e diferente, como também em procurar adqurir novos conhecimentos e experiências práticas que nos permitam alargar as alternativas de escolha e flexibilizar as opções.

O homem da fotografia que ilustra este texto o que é? Um sábio ou um vagabundo? Foi alguém que acumulou e melhorou a qualidade da sua informação ao logo da vida, ou limitou-se a acomodar-se aos seus erros, ainda que lhes chamando “experiência”?

A outra questão que se disse ser fundamental para dar vida a qualquer projecto pessoal e profissional é a Motivação. Sem a necessária vontade de ir em frente, qualquer projecto está condenado a falhar, por mais brilhante que seja a ideia que está por detrás dele.

Alguns indivíduos simplesmente têm pânico de falhar, de serem alvo do gozo ou da condenação dos outros, ou de correrem aquilo que consideram serem riscos excessivos.  Mas, como disse Churchill,  o “sucesso é ir de fracasso em fracasso sem nunca perder o entusiasmo”.  Errar e falhar fazem parte do processo de aprendizagem e do caminho de tentativa e erro necessários para se conseguir alcançar qualquer resultado positivo. O problema não está em falhar, mas em não aprender com os erros, não tirando deles as devidas conclusões.

Por isso temos de estar motivados para falhar e procurar alegremento o erro porque ele significa tão simplesmente que estamos vivos e em movimento; para além de que só as pedras não se enganam.

Motivação significa ainda ser persistente, acreditar – não por fé, mas racionalmente – naquilo que se está a fazer e ter o entusiasmo e a determinação em levar os objectivos a que nos propomos até ao fim. Mais uma vez isto dá trabalho: analítico – porque é preciso estudar bem todas as variáveis que se associam a cada obstáculo no caminho – e prático porque é imperativo ter a energia para,  de uma forma contínua e sistemática, fazermos o que tiver de ser feito para materializar os nosso projectos.

Mas isto não deveria ser problema porque se realmente percepcionamos como importante aquilo que queremos fazer e gostamos de o fazer (o que é indispensável) o prazer de o concretizar será sempre mais forte que o cansaço ou os revezes que certamente irão aparecer pelo caminho.

É claro que há muitas pessoas que não se esforçam o necessário para levar adiante os seus projectos. Isto significa uma de duas coisas: ou esses projectos foram mal pensados, não têm valor, ou essas não são as pessoas certas para os concretizar. Neste último caso irá decerto aparecer alguém capaz de reunir os meios necessários para os fazer nascer e crescer e aqueles que falharam vão ficar no café, invejosos, a gabarem-se de que “essa ideia foi minha”…

Quantas ideias brilhantes deixaram de ver a luz do dia devido aos chamados “vícios da vontade”?

Finalmente, o último factor necessário para o sucesso de qualquer projecto: a Competência: mesmo nas mais pequenas coisas é preciso que saibamos aquilo que estamos a fazer e sejamos capazes de o executar bem. Se não conseguirmos ser excelentes naquilo que nos propomos realizar, então é melhor procurarmos outro emprego.

Nisto também se insere a liderança e a atitude construtiva e geradora de sinergias que é preciso ter no relacionamento com os chamados “stake holders” -  fornecedores, investidores, colaboradores e clientes – que precisamos associar ao nosso projecto.

A pessoa competente é não só aquela que sabe executar bem aquilo pelo que é responsável – possuindo os recursos tangíveis e intangíveis necessários para o efeito  – como aquela que é capaz de ter um relacionamento construtivo com os que estão à sua volta. Na verdade, uma boa parte dos projectos são empreendimentos de equipa e  qualquer equipa precisa de um bom lider, que escolha os colaboradores certos, os saiba motivar e tornar eficientes1 naquilo que fazem.

Ninguém é perfeito e os Deuses só existem no  céu, enquanto nós estamos cá em baixo a procurar sobreviver. Se ser   ousado, motivado e competente são as condições à partida necessárias para o sucesso de qualquer empreendimento, ninguém disso que isso “nasce da fonte” ou é fácil. Mas se pensar bem vai concordar que vale a pena o esforço, não lhe parece?

_________

1 – Diferença entre eficácia e eficiência: se eu matar uma mosca com um canhão sou eficaz, porque alcancei o objectivo a que me propus; mas não estou a ser eficiente porque gastei demasiada energia e recursos para atingir esse objectivo.

Isto está certo!

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CATEGORIA: Empreendedorismo

Comentários

  1. Carlos Melo

    Das três condições que refere a que falta talvez mais vezes é a competência. Muitas pessoas lançam-se em projectos sem ter as competências para eles (ou porque julgam que isso não é importante, ou porque têm a ilusão de as ter).
    Mesmo que não dominem as especificidades de cada negócio é no mínimo indispensável que saibam encontrar as pessoas certas para os levar à prática e que dominem elas mesmas os aspectos essenciais da gestão.

    Comentário feito em:
    11 de Junho 2010
  2. Jaime Nogueira

    Artigo bastante evoluído.Alerta essencialmente para o grau de exigência das competências necessárias para os tais pensadores de excepção, estas capacidades, por um lado reduzem a margem de risco aos investidores e aumentam de garantia de sucesso do projecto.Por outro distancía o fantasma de dúvidas na tomada de decisão.
    Também há factores desmotivadores.Existiram e existem ideias e projectos inovadores de sucesso favoráveis ao bem comum que por razões de interesse corporativo são interrompidos, como foi o exemplo da destruição de veiculos cem por cento eléctricos nos EU.

    Comentário feito em:
    18 de Julho 2011
  3. Webmaster

    Obrigado. Vá voltando.

    Comentário feito em:
    18 de Julho 2011

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